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Vale quanto pesa? Então, qual é melhor? O precoce ou o tardio? (por CRI Genética)

Informação | 28 de Abril de 2016

Vale quanto pesa? Então, qual é melhor? O precoce ou o tardio? (por CRI Genética)

Foto: Divulgação/Assessoria

Quem faz ciclo completo (cria, recria e engorda) precisa se perguntar o que o comprador espera do produto final. Seria o máximo de arrobas possível? Um animal pesado, mas com cobertura homogênea de gordura na carcaça? Ou um animal jovem, com peso moderado, apresentando gordura e marmoreio? As possibilidades de mercado atualmente são muito amplas, portanto comece por definir qual será o produto final e poderemos definir a genética.

Sabemos que cada raça tem características e potenciais diversos e, dentro de uma mesma raça, temos indivíduos com desempenhos diferentes. Isso se deve ao metabolismo deles. Dentro das raças, temos animais mais precoces e mais tardios. Os precoces são aqueles que param de crescer mais cedo e começam a depositar gordura, ou seja, estarão prontos para abate numa idade mais jovem. Os tardios têm grande potencial de crescimento e vão demorar mais para começar a depositar gordura. 

Então, qual é melhor? O precoce ou o tardio?
A resposta é: depende. 

Depende do seu objetivo e do sistema de produção da fazenda. Por exemplo, dentro de um sistema intensivo, com alimento abundante, em que se remunera por arrobas, o individuo tardio ou “crescedor” é mais interessante, pois me dará mais peso na carcaça final. Em outra situação, em que meu comprador me bonifica por cobertura de gordura e carcaças de peso moderado, o indivíduo precoce será mais interessante.

Primeiramente, vamos analisar o fator raça. No geral, os taurinos britânicos têm bom potencial de crescimento e maior facilidade de deposição de gordura, como o Angus e Hereford. Já os taurinos continentais são extremamente ganhadores de peso, porém com maior dificuldade para depositar gordura, como o Simental e Charolês. Os zebuínos apresentam bom potencial de crescimento e alguma dificuldade na deposição de gordura na carcaça, sendo o Nelore a principal raça.

O segundo passo seria analisar o fator touro. Como citado anteriormente, dentro da mesma raça temos individualidades quanto ao potencial genético. Então, o que fazer para encontrar o touro certo para meu negócio? As DEPs (Diferença Esperada na Progênie) irão nos ajudar. 

Nas provas americanas, para o Angus, por exemplo, utilizamos quatro DEPs para definir o biotipo do touro. São elas: Peso à Desmama (PD), Peso ao Ano (PANO), Altura (ALT) e Gordura (G). Quando temos um touro com PD, PANO e ALT extremos, além de G negativo, estamos diante de um animal de muito crescimento que irá demorar mais para depositar gordura e, naturalmente, precisará de um sistema nutricional intensivo. Já quando temos as quatro características equilibradas, com ALT próximo a média e G positivo, teremos um animal de bom  desempenho, porém com maior facilidade de depositar gordura em idade mais jovem. Vale lembrar que as características de crescimento estão relacionadas ao rendimento da carcaça no frigorífico. Animais com maior potencial de crescimento, se não tiverem o aporte nutricional adequado, podem dar quebra de rendimento, enquanto animais mais precoces, por depositarem gordura mais cedo, podem melhorar sua eficiência no rendimento de carcaça. 

Nas provas nacionais, as do Nelore, por exemplo, também temos à disposição as DEPs para nos orientar, apenas a nomenclatura pode ser diferente. Para as características de desempenho temos Peso à Desmama (PD) e Peso ao Sobreano (P450 ou PS) e para gordura temos ACAB ou EGS. Ambas as medidas de espessura de gordura são por ultrassonografia, porém o ACAB compõe as medidas no Longissimus Dorsi (contrafilé), entre a 12ª e a 13ª costela com a medida na picanha, e EGS apenas a medida no contrafilé. Considerando o fator raça, o fator touro e fazendo uma correta leitura das DEPs, teremos plena capacidade de definir a genética levando em conta os recursos disponíveis e o mercado comprador. Por exemplo, se houver agregação de valor por qualidade da carcaça, talvez valha a pena abrir mão de mais arrobas para usar uma genética que agregue outras características ao produto final. E tenha certeza que é capaz de fornecer um sistema de produção adequado ao produto que pretende entregar. Não existe certo ou errado, existe o melhor resultado para o seu negócio!


Fonte: CRI Genética (por Juliana Ferragute e Daniel de Carvalho)

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