Cadastre-se no site

Cadastre-se e fique informado em primeira mão sobre os principais acontecimentos da Assessoria Agropecuária
Porto Alegre, 16/10/2026

Redes sociais

Agendade eventos

Últimosartigos

Esse mercado maltrata! (Por Juliano Severo Leon)

Informação | 09 de Agosto de 2016

Juliano Severo Leon, Estância Pedra Só

Foto: Divulgação/Assessoria

 

Assim começo descrevendo um pouco do que penso sobre o atual mercado pecuário gaúcho, um assunto que me atrai mas vem me tirando o sono, assim como de outros produtores.
Trabalho com ciclo completo e estou sentindo na pele a queda do preço do boi gordo em uma época do ano que isso não deveria ocorrer.
O que está acontecendo agora?
Fazendo uma reflexão das noticias, me atrevo a fazer uma análise do atual cenário.
Gostaria de começar falando em boi gordo, mas como se trata de uma cadeia de produção, vou começar pelo início, ou final, como preferirem.

CARNE – o mercado da carne está muito tímido, segundo informações de analistas e frigoríficos da região, constata-se que existe ociosidade de até 50% nos seus abates (por razão de falta de boi gordo
a preços compatíveis com o que o mercado pode absorver).
Um fator importante, e para mim de maior relevância, é a retração da economia com redução no poder de compra a população, que passa a consumir proteínas mais baratas (frango e suínos), pelo menos em curto prazo.
O elevado custo de produção (suplementação) faz com que menos produtores entreguem frangos e suínos para abate, isto gera num curto/médio prazo uma diminuição de oferta dessas carnes retornando o mercado ao equilíbrio (suínos/aves x Boi).
A exportação, que representa muito pouco no volume abatido de gado no estado, perdeu competitividade de um curto espaço de tempo para cá. Abandonou o dólar perto de R$4 para ficar na volta dos R$3. Alguns otimistas podem me contrariar argumentando a abertura/reabertura de mercados (principalmente China e USA) como solução para sustentar as exportações (volume e preço). Não acredito que isso ocorra logo! China vem demonstrando enfraquecimento na sua economia e assim como os EUA vem ao Brasil buscar carne barata, reforçando a ideia que a diferença cambial pode atrapalhar esses mercados também. Acredito que a entrada principalmente dos Estados Unidos, serve como diluidor de risco, não como agregador de valor e volume (em curto prazo ). O que pode acontecer, e a mídia já anuncia, é que outros mercados poderão se tornar mais receptivos à carne Brasileira, baseados na abertura do mercado americano.
Dados oficiais mostram que exportações gaúchas, no primeiro semestre de 2016, recuaram 4,4% em relação ao primeiro semestre de 2015. Na decomposição do resultado, observam-se crescimento no volume embarcado para o exterior de 10,2% e retração nos preços médios dos produtos exportados 13,2%. (fonte: http://www.fee.rs.gov.br/indicadores/indice-das-exportacoes/destaque-do-mes/ )


BOI GORDO

Nas previsões realizadas no ano passado, para o meu negócio, acreditava-se que o pico de preço no RS seria de julho à agosto, o que não se confirmou.
Com relação ao gado confinado, está ocorrendo uma diminuição de oferta. Confinadores sólidos estão com a coragem muito reduzida e os especuladores com os mangueirões vazios, em função do elevado custo da dieta e restrição ao crédito. Algumas fontes falam em números entre 7 e 12% de redução.
Acredito e torço que possa acontecer alguma movimentação do mercado no segundo semestre, pois somando estas informações com perspectiva de aceleração econômica, quem tiver boi gordo neste período e estiver LIGADO, pode estar pifado esperando o momento certo de bater, como se diz no linguajar dos “carpeteiros”...
Cuidado! Não acredito que isso seja uma regra, acredito em momentos muito pontuais, por isso, vamos ficar atentos.

TERNEIRO – O boi gordo empacou e segurou o terneiro.

É sabido, em todo estado, que vem ocorrendo uma retenção de fêmeas nas propriedades, seja por produtores que migraram de atividades de recria/engorda ou pelo simples desejo e capacidade de criadores em aumentar seus rebanhos. A atividade da cria, nos últimos anos, esteve atrativa, pelo menos se olharmos um passado recente onde o criador estava na atividade mais pela teimosia do que pelo resultado.
Não tenho muitos dados concretos de produção de terneiros no RS, mas como sou produtor e acompanho esse movimento vou me atrever a comentar.
Assim como a carne e o boi gordo, o mercado do terneiro/gado de reposição anda devagar, quase parando.
Acredito que no mercado local existam várias razões para isso.
Primeiramente culpo o clima, o mais fácil de ser culpado! Aqui no RS, principalmente na minha região (sul) ocorreu um excesso de chuvas no final do verão/inicio do outono, época em que os produtores de soja estavam se preparando para colher suas lavouras. Ocorreram grandes perdas nas áreas de soja e nas pastagens de inverno.
Houveram casos de produtores que:

  1. Abandonaram as lavouras de soja, conseqüentemente se descapitalizaram e não conseguiram investir em pastagens e muito menos na compra de animais; 
  2. Colheram um pouco, conseguiram fazer alguma pastagem e estas deram pouco suporte de lotação;
  3. Conseguiram colher e colocaram dinheiro no bolso, mas foram tão prejudicados com o excesso de chuvas que atrasaram o desenvolvimento das pastagens de inverno. 
Estas, ao meu ver, são algumas justificativas da diminuição da compra pelos invernadores.
Outro ponto importante, no meu raciocínio, é a inversão de ciclo de cria, que já vem ocorrendo desde o ano passado e que não tinha sido percebida claramente pela razão do aumento do valor absoluto do kg do terneiro ( que simplesmente acompanhou a inflação confirmando estabilização). Justifico a caracterização da inversão de ciclo (para baixa), pelos seguintes aspectos : 
  1. Aumento de produção de terneiros (conseqüência da retenção de matrizes nos últimos anos);
  2. Diminuição de poder de compra do invernador;
  3. Reduções nas exportações de terneiro em pé (em função de cambio ou mudanças nas regras dos países compradores).
  4. Menor saída de terneiros para confinamentos no PR e SP.

Os programas de carne de qualidade, com clientela fidelizada e que agregam valor aos seus produtos, seguem levando gado mesmo que em menor volume.
Existem outros estados produzindo terneiro com grau de sangue de raças européias e poderão abastecê-los, tornando - se concorrentes mais próximos aos centros confinadores.

Não podemos esquecer que o mercado está retraído, a dieta está cara e o crédito escasso.
De maneira alguma quero ser o “profeta do caos”, sou só um admirador curioso e deixo isso para especialistas. Tenho entusiasmo no trabalho e na pecuária.
Em momentos como esse, não podemos dar a situação como perdida e sim como “aprendida”.
Gestão e planejamento estão ao nosso alcance. Estruture bem e controle seu negócio, não vamos lutar contra o mercado, ele é grande, ligeiro e tem um soco forte.
Nós produtores temos que conhecer melhor nosso cliente, produzir o que ele quer comprar, estabelecer parcerias solidas visando satisfação para os dois lados.

Não procure negócios pontuais, não podemos esquecer que nós produzimos commoditie.
Tente vender algo a mais: Conveniência, transparência, informação, facilidade, genética ou sanidade diferenciada. Você escolhe, pode e deve fazer.
Algumas fontes já informam com esperança o aquecimento econômico para o segundo semestre deste ano.
Vamos torcer! Só não podemos esquecer de fazer o dever de casa.


Um abraço,

Juliano Severo Leon
ESTÂNCIA PEDRA SÓ

Maisartigos

  • Zebuínos superam Taurinos no rebanho bovino global (James Nason, Beef Central)

    Informação | 16 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Ao dividir a produção internacional de carne bovina em dois grupos, o analista de mercado Simon Quilty identificou uma lacuna crescente na oferta global — um cenário que também permitiu uma previsão clara sobre o ponto em que a expansão dos confinamentos na Austrália deve, eventualmente, estagnar.

    Quer entender a...
  • O touro inegociável

    Genética | 15 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Estamos em plena temporada de venda de touros taurinos, especialmente no Brasil Sul. Os remates estão disputando a agenda e a atenção dos produtores. Por hora, as médias estão girando em torno de R$ 20 a 25 mil, com grandes variações entre os animais (de R$ 16 a R$ 30 mil). Estamos praticando o ріsо dos 1.500-2...
  • O marmoreio é mais do que apenas uma função do peso (Por Nevil Speer, BEEF Magazine)

    Informação | 13 de Outubro de 2026
    Foto: Beef Magazine
    O que os dados da NBQA, as tendências genéticas da raça Angus e os números reais de carcaças revelam sobre o verdadeiro fator determinante da qualidade da carne bovina.
    Os leitores sempre fornecem o melhor material para reflexão. Isso aconteceu em resposta à minha coluna recente sobre como as importações repres...
  • O que a DEP de um touro realmente diz sobre seus filhos?

    Genética | 12 de Outubro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Indicador estima o desempenho médio esperado da progênie e ajuda pecuaristas nas decisões de seleção, descarte e acasalamento

    Ao escolher um touro ou uma matriz, os valores positivos ou negativos das DEPs podem e devem influenciar a decisão do pecuarista. Mas o que esses números realmente dizem sobre os futuros f...
  • Austrália: Você está comprando os touros que planejou comprar ou os que o leilão te levou a adquirir?

    Genética | 23 de Setembro de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Participar de um leilão de touros oferece uma visão clara de como os produtores abordam uma decisão importante.

    Para a maioria dos compradores, a aquisição representa não apenas o custo do animal no momento da compra, mas um investimento no futuro do rebanho. Aprender a reconhecer o comportamento de compra é uma ...

Nossosparceiros

Nossosclientes

Redes sociais