Por Zilah Maria Gervasio Cheuiche
É a maior onda de calor dos últimos tempos. Na segunda semana de janeiro de 2022, a temperatura máxima em Uruguaiana foi de 41,8°C. A mais alta registrada no Rio Grande do Sul desde 1943.
E esta seca, até onde vai?
Enquanto o calor bate recorde, não chove. Os últimos minguados vinte milímetros que caíram no Sul do Brasil mal apagaram o pó. Diversos municípios estão sem água. Esta é considerada a pior estiagem dos últimos 17 anos.
Na última Conferência do Clima, ocorrida na Inglaterra, cientistas afirmaram que as mudanças climáticas que acontecem periodicamente no Planeta Terra, ao longo dos seus 4,5 bilhões de anos, estão potencializando eventos extremos. Um exemplo é o aquecimento global, um processo natural que, comprovadamente pela ciência, está sendo amplificado pela atividade humana.
Eventos extremos, como o grande incêndio que consumiu milhares de hectares na campanha e fronteira oeste do RS. As causas podem ser diversas, além das citadas altas temperaturas e a estiagem. Efeitos humanos comuns como bitucas de cigarro atiradas na beira da estrada, cacos de vidro filtrando o sol (efeito de lupa). E fogo ateado no lixo que se espalhou sem controle pelos campos ressecados.
Apesar da previsibilidade das mudanças climáticas, e fenômenos meteorológicos como a relação chuva versus seca serem comuns, o preparo para situações extremas como esta é mínimo. A começar pelo mau estado de conservação da maioria das estradas de terra que dão acesso às propriedades.
É conhecido que diversas ações humanas têm impacto no planeta. Principalmente na emissão de gases do efeito estufa, que podem levar ao aquecimento global. Em sistemas de produção animal mais intensivos, com dietas ricas em concentrado, ocorre maior liberação de metano na atmosfera.
Para mitigar os danos creditadas à pecuária, pesquisadores da EMBRAPA em estudos recentes, delinearam sistemas de produção de gado a pasto. Através de ajuste de lotação, o manejo permitiu a recuperação da pastagem degradada, neutralizando as emissões de metano com a absorção de carbono pelas pastagens. A estratégia permite inclusive o acúmulo de créditos de carbono. Uma unidade de crédito representa uma tonelada de C que deixa de ir para a atmosfera, contribuindo para a redução do efeito estufa.
Muitos apontam o agronegócio como grande causador de prejuízos ambientais. Consequência da desinformação de grande parte da sociedade quanto aos sistemas de produção de alimentos. Trocando em miúdos, muita gente pensa que o leite vem da caixa. E não faz ideia de como a carne (ou a soja dos veganos) é produzida.
A pecuária de corte é considerada uma das maiores vilãs do meio ambiente. Entretanto, analisando o sistema de produção de carne a pasto que ocorre em 95% das propriedades brasileiras, com áreas de pastagens naturais e cultivadas, conclui-se que o equilíbrio do carbono ambiental é atingido com sucesso. Tornando o sistema sustentável em toda a cadeia produtiva. Uma das razões da atividade se manter viva, contribuindo para a economia ao longo dos séculos, apesar das intempéries.
O Agro é tudo.
Autora: Zilah Maria Gervasio Cheuiche / Médica Veterinária e Escritora