




Na pecuária de corte, nos interessa de sobremaneira as informações de nosso setor, desde o tamanho do rebanho, a evolução do rebanho, a estrutura desse rebanho (número e % de animais nas diferentes categorias), a comercialização de animais (entre produtores, para exportação e abate), e por fim, a comercialização da carne (no mercado doméstico, na exportação e na importação do produto). Toda essa informação reunida, organizada e publicada de forma correta (com método) nos dá o entendimento do que está ocorrendo em nossa atividade. A informação nos permite fazer melhores análises, planejamentos, ações e mudanças de rumos em nosso negócio.
O uso da informação pode-se dar desde as decisões do produtor até os movimentos da indústria frigorífica e as políticas públicas ou ações setoriais necessárias para melhorar o indicador A ou B apontado como deficiente nos levantamentos. A informação setorial colhida e processada de forma contínua e sistematizada nos indicará onde a pecuária deve melhorar ou focar: no percentual de terneiros desmamados, na idade de abate, no peso de carcaça, no volume de nossa exportação de carne (tão acanhado no RS), no valor do produto final, etc.
Pois bem, por anos fui crítico e preocupado com o tema e pedia por mais informações de nossa pecuária gaúcha. Em 2013, participei como um dos palestrantes da primeira edição da Noite da Pecuária, organizada pela Unipampa e pelo Sindicato Rural de Uruguaiana. Na ocasião, me convidaram a falar sobre Informações da Pecuária Gaúcha. Tentei mostrar como estávamos bem capengas em informações sobre nossa atividade. De forma pública e disponível não tínhamos os dados necessários ou o que tínhamos era muito defasado (em relação ao rebanho, abate exportação, etc.). Os possíveis modelos de trabalho a serem estudados eram muitos e podiam ser usados como referência (benchmark) em nosso País e fora dele, vide IMEA (Instituto Mato-Grossense de Economia Agrícola), INAC (Instituto Nacional da Carne no Uruguai), Mercado de Liniers comercialização de gado gordo na Argentina), e tantos outros.
Passados alguns anos, evoluímos bastante. Temos mais informações disponíveis e circulando de forma rápida e fluida com as facilidades da internet, redes sociais e grupos que participamos. Temos bons trabalhos em andamento e entregando boas informações na universidade (com destaque ao NESPro/UFRGS), dos produtores (via FARSUL) e no governo do RS (Secretaria da Agricultura).
O serviço e novidade oferecidos aos produtores é o FARSUL BIG DATA. Dê um Google e navegue pelo banco de dados com informações segmentadas em três grandes grupos: Conjuntura (economia), Agricultura e Pecuária. Na pecuária, temos à mão o comportamento de preços do gado e as informações de rebanho e de abate do estado e por município. Por curiosidade, fui hecar como anda a coisa em Livramento. Veja as figuras com o rebanho e abate da “Fronteira da Paz”.
O Observatório Gaúcho da Carne é uma iniciativa conjunta da Secretaria da Agricultura, FARSUL, FUNDESA e SICADERGS. As informações podem ser filtradas por período e assunto de interesse. Na tela que trago aqui estão os dados de exportação de carne em 2021 num paralelo Brasil e RS.
Na universidade, temos como destaque o trabalho do NESPro, núcleo de estudos da Faculdade de Agronomia da UFRGS, que vem produzindo e disponibilizando de forma contínua muito boas informações sobre a pecuária gaúcha. Muito valorizada entre os produtores são as informações de mercado, principalmente as cotações de gado de reposição e gordo. É publicada semanalmente a pesquisa de preços de gado no RS com respectiva análise dos dados. Periodicamente, também são publicadas cartas conjunturais com dados tabulados de períodos maiores e análises mais detalhadas. Confira a carta conjuntural do ano de 2021 e verifique os movimentos da pecuária gaúcha. Quem imagina que vivemos estabilidade de rebanho e abate que consulte logo a publicação. A carta informa redução de 16,5% no abate anual e incremento de 15% na produção de terneiros, ou seja, 320 mil terneiros a mais no RS nascidos em 2021. Verifique a publicação completa e faça as suas análises.
Com estes exemplos que trouxe aqui temos que reconhecer que bastante vem sendo tentado e feito por mais informações da pecuária gaúcha. Naturalmente que tudo pode ser melhorado, que queremos sempre dados mais recentes, etc., mas essas melhorias fazem parte da construção desses serviços e da cultura de consumirmos mais rotineiramente estas informações. Acredito que logo teremos disponível os abates semanais no RS e esta informação quentinha (o que ocorreu na semana passada) vai nos ajudar muito na comercialização dos animais. Sairemos um pouco da dependência de informação da indústria frigorífica, do comprador de gado, do motorista do caminhão, dos influencers, etc., e teremos mais possibilidade de simplesmente avaliar se o mercado está ofertado ou não.
Na minha principal área de trabalho que são os touros, ainda seguimos muito capengas de informações de mercado atualizadas. Poucas são as fontes para pesquisa de dados históricos de reprodutores, convertidos em quilos de boi ou dólares menos ainda. Da mesma forma, pouco sabemos da participação das raças na comercialização de touros aqui no Sul do mundo. As associações de raça fazem bom trabalho promocional nos resultados dos leiloes, mas há um viés de sempre valorizar o desempenho da sua raça em comparação às demais, dissecando pouco os dados em número de touros, etc. Ao final, lemos todas as notícias dos resultados de venda de touros em leilões ou particular e ficamos sem saber qual foi o número total, se cresceu, se diminuiu, etc. No serviço oficial esta informação também não vem sendo buscada, haja vista que nem na classificação do rebanho e emissões de GTAs existe o espaço para touros. Na área da inseminação, temos farta informação nos relatórios da ASBIA. Sabemos muito mais da vida do touro no botijão que nos campos. Logo, estamos bem distantes de ter boas informações de mercado sobre touros. Mas não abandonaremos a missão. Seguimos lutando, com espada pitoca, na busca de um pouco de informações sobre a comercialização deste animal tão importante na pecuária.
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* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Fevereiro, 2022)