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DO PASTO AO PRATO Agora também estamos no streaming

Genética, Informação | 17 de Abril de 2023

DO PASTO AO PRATO Agora também estamos no streaming

Foto: Divulgação/Assessoria

Em 2023, completo dez anos de colunas do Pasto ao Prato aqui na Revista AG PEC. Esse espaço era, anteriormente, responsabilidade do amigo Miguel Cavalcanti. Substituir uma pessoa tão capaz e criativa me pressionou de certa forma, mas também me motivou: as pessoas devem ler essa coluna e vou pegar uma estrada já aberta; agora, é só cuidar para o acostamento não ficar muito sujo, para os eventuais buracos serem logo recuperados e a sinalização seguir em dia - pensei mais ou menos assim.

Recordo que eu estava num hotel em Mococa (SP), em 2013, quando o Eduardo Hoffman me telefonou com o convite para eu ser um articulista permanente da revista. Acho que aceitei meio de pronto. Não tinha, na verdade, entendido bem o tamanho do compromisso, dos prazos, da rotina mensal, das possíveis implicações e repercussões. Achei que era um boa e respondi com o “vamos adiante”, que é uma expressão que uso bastante, e até é meio que um mantra pra mim. Encerrei a ligação com o Eduardo e me fui pra Fazenda Cardinal, da VPJ Pecuária, fazer algum trabalho de seleção no plantel, aparte de lotes para o leilão, etc. Naquela época, eu ia mais a SP visitar criadores de Angus. Antes do Waze e Google Maps. O melhor recurso que tínhamos era o GPS Garmin. Funcionava meio aos tombos, mas era um grande avanço em relação aos Mapas 4 Rodas.

Durante esta década escrevendo textos, acumulei uma quantia considerável de material, seguramente mais de uma centena. Alguns, talvez, já tenham expirado o prazo de validade, pois tratavam de questões daquele momento da nossa pecuária ou de minha vida, ou de minha vida naquela pecuária. Outros textos tiveram alcance que eu nem imaginava. Tive um texto específico que me gerou demandas na justiça. Recebi queixa crime de calúnia, injúria e difamação, apesar de eu não citar ninguém especificamente na minha coluna. Por incrível que pareça, a questão foi até o Supremo Tribunal de Justiça (STJ), mas venci em todas as instâncias. Como me disse um experiente advogado e criador de Angus, Sr. Carlos Augusto de Souza: “não te preocupa, Velloso, ainda não existe crime de opinião neste país”. Por sorte, ele estava certo.

Sou um apreciador e consumidor de podcasts. Trouxe esse assunto num texto em maio/22, “Podcast na pecuária: dos fãs do rádio para o streaming” e acredito que temos muito a avançar nessa forma de comunicação no agro. O produtor rural roda muito, tem quilômetros e horas de estrada semanalmente. Muitos estão aderindo à plataforma, transformando horas cansativas em quilômetros de vantagens.

Por sugestão de alguns amigos, e também pelo visível crescimento dos podcasts e canais de vídeos, venho, desde 2022, cogitando gravar os meus textos para que fiquem acessíveis também em outros formatos. Mas, Velloso, alguém vai querer ouvir os teus textos? R.: Não sei. E pra perguntas sem respostas claras, uma via na qual acredito bastante é tentar, é testar fazendo. Não me imaginei escrevendo dez anos para esta revista também. Mas sentei, rascunhei, digitei e mandei o primeiro texto por e-mail. Depois virou rotina. Com seus erros, acertos e melhorias. Propus para a revista a ideia de aproveitar os textos atuais e parte dos antigos, no formato de áudio. Como a editora já tem o canal A Granja Total Agro, me orientou a utilizar esse espaço com gravações de vídeos. Sendo assim, os conteúdos serão disponibilizados, a partir de agora, em texto, vídeo e áudios. Será a tal “Coluna Online”. Mas, Velloso, e quem vai querer assistir a um vídeo teu lendo um texto? R: Não sei.

Não sou muito afeito a vídeos na internet. Até não gosto muito dos tais stories com vídeos e músicas no Instagram. Tenho até receio do volume que aquela música vai tocar e que tipo de som vai aparecer. Porém, já me alertaram de que estou desatualizado e de que os conteúdos que mais geram engajamento nas redes sociais são os vídeos. Independente disso, eu sigo achando bem chato quando pessoas próximas de mim ficam assistindo aos vídeos no WhatsApp ou abrindo stories em sequência, cada um com um trecho de música e, usualmente, bem agitadas pra chamar atenção do internauta. É tipo vídeo de touro com uma música de filme de guerra ou outra coisa apoteótica. Na hora, busco o botão de “mutar”. No entanto, já estou derivando pra outro assunto. O resumo desse parágrafo confuso é que pessoas apreciam vídeos e vamos tentar aprender a fazer isso (se possível, sem músicas bombásticas!).

O primeiro episódio desta Coluna Online já está no ar. O vídeo/áudio #1 foi a coluna “Pecuária 2023: a busca por bons hábitos”, texto que me rendeu bons retornos e algumas mensagens de apoio de leitores generosos. O próximo episódio a ser gravado vai buscar um texto mais antigo: “Touro Dupla Marca é a geladeira com selo A”, publicado em 2019. Naquela época, eu me preocupei em ver um movimento que buscava o fim do Dupla Marca na raça Angus. No início de 2023, recebi um comunicado da ANC/Promebo de que o Dupla Marca havia sido extinto mesmo. Naquele texto, escrevi o seguinte: “Já que a palavra segue sendo uma das formas de lutar, faço esse registro por aqui. Se essa batalha for perdida, fica pública a minha tentativa de que o assunto fosse mais pensado e discutido. Faz mais de 15 anos que um produtor me procurou pedindo apoio para comprar um lote de touros Angus para ele. A mensagem foi simples: “Escolha para mim seis touros, mas todos pretos e com Dupla Marca. O resto deixo contigo”, disse ele. Fizemos isso por vários anos, e creio que se construiu um bom gado. Simples assim!”.

Os destaques ou assuntos mais importantes num texto são realçados com intertítulos ou o “olho do texto”. No mundo dos canais de vídeos, o recurso utilizado são os cortes ou trechos que podem gerar a curiosidade para um episódio inteiro. Vamos tentar aprender essas novas formas de comunicação. Quando iniciei por aqui, recebi uma boa estrada asfaltada, mas agora vamos para o desafio da duplicação da rodovia do Pasto ao Prato. Coloca no piloto automático dentro do limite de velocidade e vem conosco!

* Publicado na coluna Do Pasto ao Prato, Revista AG (Abril, 2022)

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