

Escrevo diretamente da Expointer. O clima (no sentido de alto astral) é o melhor possível. Estandes por todo lado, grande público, julgamentos de diferentes raças dividindo a pista central. A agenda de atividades é como um quebra-cabeças: colidem no mesmo horário os encontros técnicos, lançamentos de sumários, leilões e assados que se vão à noite. Muitas oportunidades para encontros com gente boa de todo o Brasil. A feira iniciou com alta demanda de ventiladores e splits derrubando a chave da luz. Para o final desta semana, a previsão é de lareiras reativadas nas associações de criadores. Aqui é o maior evento das raças europeias do Brasil e, neste período entre 30 de agosto e 7 de setembro, se alternam as quatro estações do ano.
A pecuária Sul e o mercado dos taurinos são temas sobre os quais gosto de pensar. Vou pensando, ruminando e reunindo algumas ideias por aqui. Faz poucos dias, neste agosto, que a ASBIA fez o lançamento da parcial do seu relatório 2025 na ExpoGenética, em Uberaba. Direto do estúdio da ABCZ TV, foram divulgados os dados do mercado de inseminação no primeiro semestre.
Resumo simplificado - Venda Sêmen Corte (2025/1):
São dados do primeiro semestre, período de menor venda de sêmen de raças de corte, mas há sinais claros de que está acontecendo uma retomada do cruzamento industrial. Somente a raça Angus cresceu meio milhão de doses. Já é um bom lote extra de vacas para inseminar. Nos produtos deste cruzamento Angus x Zebuínos, vem crescendo o uso das raças Brangus, Braford e Charolesa nas fêmeas F1. Os prováveis motivos para esta retomada dos taurinos são a virada do ciclo pecuário, a retomada da pecuária de cria, e a valorização do bezerro preto (para nós ou para os navios da exportação de gado vivo). O pecuarista quer produzir mais bezerros, mais pesados e mais valorizados. A IATF e o cruzamento ajudam muito a chegar nestes objetivos.
Sêmen nacional em alta
Historicamente, há predomínio de sêmen importado nas raças taurinas. O botijão que vem de avião era sócio majoritário neste negócio, com 60% a 75% de participação da “firma”. Mas, o mercado é um organismo vivo e não considera o contrato social. Sendo assim, nos últimos 5 anos, ocorreu um crescimen to do produto nacional e ele ganhou força. Para minha felicidade, em 2024, a participação do sêmen nacional até superou levemente o importado. Saímos da zona de rebaixamento para o G4. Temos vaga na Libertadores.
Aqui na Expointer, foram lançados os Selos Beef on Dairy pela Associação Brasileira de Angus e pelo PROMEBO. É uma forma simples de melhor orientar os touros Angus adequados para uso em matrizes leiteiras, Jersey ou Holandesas. O uso de sêmen corte no leite já é uma realidade no Brasil faz alguns anos. Agora, este processo avança com a certificação da Carne Angus para este produto e também com orientação do programa de melhoramento genético na escolha dos reprodutores.
Neste Especial Genética da DBO, estamos publicando a décima edição do Top 50 Taurinos– Os Maiores Vendedores de Touros Brasil (busque as informações na re vista ou Portal). A tabulação desses dados e a realização do levantamento, nos últimos 10 anos, tem nos dados visão de drone do mercado de reprodutores taurinos. Pela primeira vez, estamos publicando o levantamento de Novos Touros Taurinos em Centrais de Inseminação. Agradecemos os dados recebidos da grande maioria das centrais do Brasil. Listamos 112 touros que ingressaram no mercado em 2024. Ou seja, temos mais de uma centena de novas possibilidades de escolha de genética nacional. Muito bom mercado para o selecionador e ótimas opções para o produtor comercial.
Para 2025, acredito que o ingresso de touros taurinos em centrais terá números maiores. As perspectivas para o mercado de taurinos em geral, nos próximos anos, são muito positivas. Então, parafraseando o dito popular: Recuar? Só se for pra pegar impulso.
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* Publicado na Coluna "É só olhar e ver", Revista DBO (Setembro/2025)