Foto: Portal DBO
Por: Fernando Furtado Velloso
Saudações a todos. Agradeço à DBO pela oportunidade desta coluna, onde apresentarei informações técnicas e ideias sobre pecuária, com o sotaque do Sul. Aos poucos, nos conheceremos melhor. Eu saberei mais sobre o que vocês apreciam ler e vocês, sobre meu jeitão de pensar e escrever. Vai dar certo. Seguro que sim.
Pensando em trazer um tema “novo”, se é que existem realmente temas novos, apelei para a “ajuda dos universitários”, neste caso dos meus filhos Bento e Érico, 13 e 7 anos, e de minha esposa Carin. Sentados na casa da árvore aqui da fazenda (prefiro o nome estabelecimento), perguntei que assuntos eu deveria abordar na revista de pecuária que eu começaria a colaborar. Tipo essas dinâmicas de brainstorming que as empresas realizam e às vezes funciona. Anotei tudo o que ouvi num dos tantos cadernos que carrego. Dos guris, sugiram as seguintes perguntas:
De minha esposa vieram menos temas. Adultos, em geral, têm menor adesão a essas dinâmicas.
Já tenho uma boa lista de temas para desenvolver em meus textos nas próximas edições. O pecuarista e o técnico de campo devem ser especialistas em temas gerais da pecuária. Tudo está conectado: a genética, o pasto, a reprodução, o produto final, a “sabedoria” em equilibrar tudo isso e ainda ter resultado financeiro. Na pecuária, o ESG [Environmental, Social and Governance] está presente muito antes de criarem o termo. “Desde que o samba é samba é assim”, cantou meu parente distante, Caetano Veloso.
Aos leitores que chegaram até este parágrafo faço um desafio em forma de brincadeira: respondam tudo o que meus guris perguntaram. Os assuntos que eles trouxeram são fundamentos da produção animal: genética, cuidados com o pasto, nutrição, manejo, gestão do rebanho e da fazenda, e a relação com a qualidade do produto final.
A pergunta sobre qual a melhor carne, eu vou deixar para os próximos capítulos. De qual raça, à pasto ou confinamento, castrado ou inteiro. Se me perguntassem, no passado, eu teria a resposta bem clara. Hoje, não tenho mais. Com o tempo, as nossas certezas mudam.
Sobre as questões que minha esposa trouxe, fica a lembrança sobre algo que já sabemos: como é importante a sensibilidade feminina quando nos limitamos somente a questões práticas e produtivas. Se não fosse assim, quem se preocuparia com o cuidado e educação das crianças? Quem perceberia que cada terneiro que nasce é o milagre da vida bem em nossa frente?
Nota de rodapé: Batizei esta coluna de “É só olhar e ver” em função da música Eu Sou do Sul, de Elton Saldanha, premiada como a mais popular da 22ª Califórnia da Canção de Uruguaiana em 1993.
* Publicado na Coluna "É só olhar e ver", Revista DBO (Agosto/2024)