Cadastre-se no site

Cadastre-se e fique informado em primeira mão sobre os principais acontecimentos da Assessoria Agropecuária
Porto Alegre, 08/03/2026

Redes sociais

Agendade eventos

Últimosartigos

Cultura de DEPs do que “cresce e se vende”

Genética, Informação | 15 de Março de 2025

Importamos, especialmente dos EUA, a cultura dos programas de melhoramento e Diferenças Esperadas na Progênie (DEPs). A tecnologia funciona e nos serve. Passamos a calcular números com dados de desempenho, fatores de correção, matriz de parentesco (genealogia), grupos contemporâneos, laços genéticos entre rebanhos etc. Com tudo isso, é possível comparar animais de diferentes fazendas para algumas características. Ótimo. Nos trouxe mais objetividade para a seleção de bovinos. Não dependemos mais somente de jurados. O problema é que importamos a cultura pela metade.

Aderimos com força apenas a uma parte da tecnologia. Ficamos bons em DEPs para crescimento e carcaça. Estamos cheios de touros Top 1% para Peso Final ou AOL. E o método funciona bem demais. Ponto pra nós. Porém, especialmente nos taurinos, pouco avançamos nas avaliações genéticas para o mérito da vaca, eficiência reprodutiva e longevidade produtiva. Meio que abandonamos os controles internos para dados intra-rebanho. Já não calculamos com rotina o peso ajustado ao desmame, o percentual de peso desmamado pela vaca, o intervalo entre partos do rebanho e de cada matriz.

Temos fartura de números dos animais na avaliação genética da raça que criamos, mas escassez de números para avaliar os animais dentro de nosso rebanho. “Deixa que números é o programa que calcula”, alguns dizem, mesmo que certos números não sejam calculados por ninguém. Acabamos medindo só o que cresce e se vende. Como a “fábrica” (plantel) está indo fica pra depois.

Os dados intra-rebanho são os mais importantes para o selecionador. Essa afirmação é convicção minha. Não é citação de algum livro ou outra fonte. O intra-rebanho mostra que matrizes (e genética) funcionam no meu plantel e no meu sistema de produção. Exemplo: a vaca 9010 tem 6 anos e desmamou 5 filhos com peso 10% superior à média. Ela é 5/110. Sua genética deve ser multiplicada. Pouco importa se essa vaca é Top 5, 20 ou 60% para algum índice final. Essa fase já passou na vida dela faz anos. Ela é boa demais. Tem parição todos os anos no cedo e gera um bezerro superior à desmama. Com essa fábrica eu não quebro.

Mais atenção às matrizes
Medimos e damos foco demais no que cresce e se vende. Os dados da vaca são meio “descartáveis” no geral. Tem aquele bezerro que não pegou registro e ficou fora do programa, outro que morreu antes do desmame etc. Paciência se a falta de informações vai prejudicar os dados reprodutivos da vaca. É assunto pra depois. Este quadro leva algumas pessoas a criticarem exageradamente as DEPs, dizendo que com DEP não se faz um bom gado; que DEPs não se refletem no campo etc. Não acompanho esse raciocínio. É demasiado simplista e reducionista. É uma polêmica vazia. Pode derivar de falta de compreensão do todo ou ser um pouco de má-fé mesmo. Se não entendo ou não me destaco na área, desqualifico.

As DEPs são números como outros. Os índices são DEPs misturadas. São uma nova célula na planilha do Excel. Índices ora simplificam o uso dos dados, ora igualam animais diferentes. A pecuária é cheia de números: taxa de prenhez, Kg/ha, R$/ha, GMD Global etc. Nas empresas é o mesmo: faturamento, margem, meta, retorno, passivo etc. Estes números isolados nos dizem pouco. Logo, quem não crê em DEPs não crê em números. Existem alternativas: comprimento em braças dum laço, tempo em quantidade de luas, e venda do gado por cabeça, a vulto, na perna. Alternativas que envolvem menos números.

Com DEPs só do que se vende (Touros Top para algum Índice Genético) podemos ter bom comércio de reprodutores no curto prazo. Será uma corrida sem fim por peso e números. Talvez a fábrica não resista. Talvez o cliente seja observador e migre para algo com mais equilíbrio. Com um trabalho bem feito no intra-rebanho, será contínua a melhoria da fábrica. O produto final (touro e novilho) será melhor e mais completo, pois é resultado de números e critérios que sustentam a longevidade de um rebanho: fertilidade, bons úberes, cascos, aprumos, adaptação, tamanho adequado ao meio etc. Os clientes que buscarem estes reprodutores estarão afinados com o sistema de produção e seleção dos animais. Nada disso exclui as DEPs, o ultrassom de carcaça, a genômica etc. Todos são números que nos apoiam para a tomada das melhores decisões. E é isso: acabou o número de caracteres autorizado pela DBO.

* Publicado na Coluna "É só olhar e ver", Revista DBO (Março/2025)

Maisartigos

  • Além do exame andrológico: entendendo a contribuição do touro para a fertilidade.

    Informação | 05 de Março de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Como pesquisas recentes e ferramentas reprodutivas avançadas ajudam os produtores a identificar touros de alta influência e a melhorar os resultados reprodutivos do rebanho.

    Por Briley Richard, 11 de fevereiro de 2026

    A fertilidade dos touros tem sido, há muito tempo, um pilar fundamental para a lucratividade da pecuár...
  • USP: Mercado de IATF registra alta de 6,2% em 2025 consolidando tendência de crescimento

    Genética, Informação | 05 de Março de 2026
    Foto: Divulgação/Assessoria
    (Mais de 250 milhões de protocolos de sincronização já foram comercializados no Brasil desde 2002)
    Boletim Eletrônico do Departamento de Reprodução Animal/FMVZ/USP Edição 10, de 27 de fevereiro de 2026

    Editorial

    O Departamento de Reprodução Animal da Faculdade de Medicina Veterinária e Zootecnia da Univer...
  • Existe a vaca de tamanho ideal?

    Informação | 11 de Dezembro de 2025
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Especialistas afirmam que, ao tomar decisões sobre o descarte de animais, é importante lembrar de comparar o peso do bezerro ao desmame com o tamanho da vaca.

    Um debate antigo na pecuária sempre girou em torno do tamanho “perfeito” de uma vaca. De acordo com Kenny Burdine, economista da Universidade de Kentucky, n...
  • Genética Nacional: Angus com mais filhos registrados no Brasil

    Genética | 01 de Dezembro de 2025
    Foto: Divulgação/Assessoria
    O touro escolhido pelos criadores que produzem genética nos sinaliza algumas preferências. O conhecimento dos touros mais usados nos ajuda a compreender os movimentos do mercado, as necessidades de mudanças e os ajustes de rota dos selecionadores. As associações americanas de Angus (preto e vermelho) divulgam os to...
  • Siga o líder: os Angus mais usados nos EUA nos dizem alguma coisa

    Genética, Informação | 30 de Novembro de 2025
    Foto: Divulgação/Assessoria
    Como os dados de touros líderes nos Estados Unidos podem orientar escolhas no Brasil

    Por Fernando Furtado Velloso – Veterinário, produtor rural, mestre em Produção Animal, sócio da Assessoria Agrop. FFVelloso & Dimas Rocha e da CRIO Central Genética Bovina.

    Acredito na expressão “siga o líder”. E, falando...

Nossosparceiros

Nossosclientes

Redes sociais