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Está decidido: não compro mais touros!

Mercado | 15 de Maio de 2026

Está decidido: não compro mais touros!

Foto: Divulgação DBO

A compra anual de touros é uma conta como tantas outras na pecuária de corte, igual ao adubo, suplementação mineral, medicamentos, vacinas, arame etc. A diferença é que o touro é um insumo que pode “eventualmente” deixar de ser comprado e passar a ser produzido pelo próprio pecuarista. Uso de propósito a palavra eventualmente entre parênteses, pois entendo que esta opção é a exceção à regra. Tentarei defender esta lógica a seguir. 

A lógica de produzir os próprios touros está no fim dos gastos com compras anuais; na eliminação de problemas, como a baixa vida útil de alguns animais (mortos ou descartados com poucas estações de monta) e na possibilidade de se criar touros próprios similares em qualidade e genética aos comprados. Mas talvez o raciocínio exposto seja um pouco frágil e outras questões relacionadas à efi ciência no uso dos touros devam ser consideradas antes de apertar o botão “não compro mais touros”. 

Redução de perdas

Aposte nestas rotinas:

1.  Exames andrológicos mais frequentes – Isso evita problemas. Touros avaliados precocemente podem receber tratamento mais cedo. A realização de dois exames andrológicos anuais ao invés de um pode lhe poupar o descarte de  um touro ou mais.

2.  Casqueamento preventivo – Os problemas de casco estão entre as principais causas de reprovação de touros.  A adoção dessa medida antes do exame andrológico é uma rotina muito recomendável.

3.  Maior atenção aos touros – A baixa frequência de revisão dos animais complica problemas contornáveis como a tristeza parasitária, lesões no saco escrotal e prepúcio, etc.

4.  Rodízio de touros e descanso dos que apresentam pior condição corporal – Essa medida dá mais tempo para que eles se recuperem. 

5.  Formação de lotes de vacas CUT (que Criam o Último Terneiro) Além de melhorar a eficiência da cria, isso reduz a demanda por touros. Ex: a cada 100 vacas apartadas como CUT, são três/quatro touros a menos. 

6.  Melhor relação touro:vaca – Propriedades que adotam as práticas acima podem trabalhar com menos touros por vaca, saindo dos tradicionais 3%-4% para 2% e acasalando 50 vacas por touro, em média.

“Já falei, estou decidido”
 
Se você está decidido mesmo a não comprar mais touros, é importante produzi-los direito. De outra forma, eles vão cobrir menos vacas do que os comprados e ainda piorar a qualidade da sua produção. Lembre-se destas condições obrigatórias:
 
a)  Aquisição de matrizes “puras” ou “controladas” – A produção de touros deve ser feita com matrizes superiores; por isso, inicie o controle de fêmeas-base e espere um pouco até a primeira safra de tourinhos; 
 
b)  Melhor controle do rebanho – A obtenção de boas informações intrarrebanho dependem do controle rigoroso de animais e dados de produção (peso ao nascer, desmame, ganho pós desmame, ultrassom de carcaça etc);
 
c)  Participação em um programa de melhoramento – Para seleção mais objetiva e com DEPs é necessário participar de algum programa de melhoramento e, possivelmente, fazer investimentos em genômica; 
 
d)  Planejar a recria dos machos para  ter pesos superiores aos 2 anos;
 
e)  Ter duas fazendas dentro da mesma – A fazenda 1 é a de gado comercial e a fazenda 2 é a de gado de seleção. Deve-se estar preparado para bastante trabalho extra;  

Conclusões
 
Conforme expliquei no início deste texto, salvo exceções, a melhor prática segue sendo a aquisição de touros oriundos de bons selecionadores. É possível reduzir bastante o custo anual de aquisição com a diminuição de perdas e melhor uso dos reprodutores. Provavelmente, em muitos casos, a economia obtida com essas medidas é maior do que a diferença entre adquirir e produzir os touros. Salvo que esta atividade seja um desejo seu e sua fazenda tenha perfi l para tanto, fazer os próprios touros entra na categoria das orientações do grupo “não inventa moda”.

Este assunto não é novo. De tempos em tempos, ele aparece nas conversas com clientes e nos grupos de Whatsapp. Já faz alguns anos que sou consultado sobre produzir os próprios touros. Lembrei de dois textos nos quais abordei essa mesma ideia: Produção de touros: negócio para especialista (mar/2020) e Quero produzir touros. Será mesmo? (abr/2016). Opa: vamos preparar a festinha de 10 anos da coluna sobre este mesmo assunto. 

Publicado na Revista DBO (Maio/26) 

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